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Yoga Sutras – Sutra 1.1 e Sutra 1.2

O que é então o Raja Yoga?

É o yoga do caminho real (Raja significa rei, real), do controle da mente, digamos que é uma abordagem mais científica da realização do Absoluto. O Raja Yoga, ou Ashtanga yoga, que é diferente do yoga dinâmico ashtanga, é constituído por oito disciplinas e o objectivo principal é atingir o estado de super consciência, o Samadhi.

É um tipo de yoga direccionado para pessoas com carácter mais racional ou científico. Pessoas mais dinâmicas ou activas podem sentir-se mais realizadas com o Karma yoga ou com o Hatha Yoga, enquanto que pessoas de carácter mais devocional estarão, eventualmente, mais realizadas no Bhakti Yoga. O Jnana yoga para pessoas de carácter mais especulativo e filosófico. No entanto, o melhor é praticar um pouco de cada um destes yogas, pois todos eles trabalham diferentes aspectos da personalidade humana, e desta forma tornamo-nos mais integrais. Não faz sentido discutir sobre qual tipo de yoga, ou escola de yoga, é melhor pois todos vão dar ao mesmo lado. Escolhe um método e vai em frente até ao fim. Remove os véus presentes na tua mente e deixa brilhar o Sol nos planos da existência.

Voltando aos Sutras, podemos dizer que o Yoga Sutra de Patanjali está dividido em 4 capítulos.

O primeiro capítulo, Samadhi Pada, trata sobre temas como o funcionamento da mente, os vários níveis e tipos de samadhi e a teoria geral do Yoga.

O segundo capítulo, Sadhana Pada, fala-nos sobre a prática do yoga (Sadhana), sobre o Kriya Yoga, as cinco aflições da mente e os diferentes métodos para as eliminar.

O terceiro capítulo, Vibhuti Pada, refere as três últimas disciplinas do Yoga, o que é Samyama, e descreve também os Siddhis, poderes psíquicos que o yogin adquire ao longo da prática do yoga.

O quarto capítulo, Kaivalya Pada, descreve a temática da Libertação enquanto vivo (Kaivalya). Libertação da ilusão cósmica, que é constituída por maya e pelos três gunas.

Capítulo I

Sutra 1

Agora uma exposição do Raja Yoga será dada.

Este é o primeiro aforismo de Patanjali. O significado é o literal, isto é, o sentido do texto corresponde com o elemento literal. Patanjali inicia a sua obra definindo o objectivo: expor a filosofia do Raja Yoga.

Sutra 2

Yoga é controlar as modificações da mente.

A palavra Yoga tem dois sentidos. Em sentido lato refere-se a qualquer tipo de Yoga; Karma yoga, bhakti yoga, jnana yoga, mantra yoga, hatha yoga, kundalini yoga, Japa yoga, etc. Para Feuerstein existem pelo menos 40 tipos de yoga. Num sentido restrito a palavra yoga significa Raja yoga, Yoga de Patanjali.

Patanjali começa então por definir o que é o Yoga. A palavra Yoga significa “união”. A raiz da palavra é Yuj que significa unir. Esta união é entre Atman, a alma individual, e Paramatman, a consciência cósmica.

O Raja yoga é uma “filosofia prática” de vida que através das oito disciplinas, acima de tudo de vivencias, experimentação e descobertas interiores individuais conduz a uma nova realidade mental, o estado de super consciência ou Samadhi. O Universo é formado por substância cósmica mental (consciência) e por substância física, assim como o Homem. O que está em baixo é igual ao que está em cima. Digamos que o aspecto físico é a “casca ou primeira camada da cebola”.

Este conceito de união deve ser entendido numa interpretação extensiva, aplicada à vida. Temos que unir todos os opostos na vida, o frio e o calor, a alegria e a tristeza, o dia e a noite, o activo e o passivo e muitos outros. A natureza de Brahman ou Absoluto é una e não manifesta, mas a natureza do universo manifesto é dual, devido ao jogo cósmico de Maya, tudo tem um contrário. Entre estes contrários existem várias modificações e graus de consciência.

O Yogin, através do caminho do Raja Yoga, aprende a controlar a natureza mental e as suas modificações (Vritti). Esta substância mental, formada por pensamentos mas não só, é controlada ou suprimida (nirodha). O objectivo aqui é conscientemente parar de pensar, permitir que a mente se esvazie, se silencie. Parar de pensar não significa morrer, pois quando dormimos, na fase de sono profundo, não pensamos e existimos. Qual a actividade da mente durante o sono profundo? Onde está o “Eu”? Portanto, a frase “penso logo existo” da filosofia ocidental é relativa pois não penso e também existo. Chitta (citta) é a substância mental controlada através das diversas técnicas. Este não é um caminho fácil e também não é para quem desiste facilmente. Iniciar algo e ficar a meio é perda de tempo. Pratica, medita, silencia e alcanças a gloria.

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